Conceitos


Segunda-Feira, 17.08.2015 às 08:49
O novo rótulo não importa. Importante é o conceito
O mundo está ficando mais complexo e também mais divertido
   O mundo da sexualidade masculina foi invadido por mais uma categoria de comportamento, justo onde antes havia a falsa e aparente tranquilidade de que apenas três instâncias hetero, bi e homo seriam suficientes para marcar toda a diversidade comportamental dos homens cis.
   O incrível é que muitas pessoas se chocam não pelo conceito e/ou pelo ato/comportamento em si, mas ficam indignadas, pelo simples fato de um grupo abrir espaço para mais um componente dentro da sexualidade.
   Como assim? Que loucura é essa! Não existe uma quarta dimensão, isso é apenas um grupo que não quer para si, o rótulo gay. Mas o fato é que existe sim (sempre existiu!) acontecia apenas que eles não tinham um nome para chamar de seu, ou seja, não tinham direito a uma identidade. 
   As pessoas esquecem que os atuais rótulos consagrados, hetero, bi e homo, um dia também não existiram, alguém os criou. Por exemplo, o termo homossexual foi criado por Karl-Maria Kertbeny, em 1869 – possui 146 anos de existência, muito pouco tempo, tomando-se a perspectiva da história da humanidade.

   Da mesma forma, antes de Karl-Maria o comportamento homossexual não existia? Claro que sim, ele existia, apenas faltava o conceito. A mesma perspectiva histórica acontece hoje com o termo g0y que causa tamanha estranheza a tantos.

   A diferença parece que é simplesmente a de que a palavra homossexual já existia quando nascemos, já o(s) novo(s) rótulos designados para homens que ficam na região intermediária entre o comportamento bissexual e o heterossexual normativo, ao contrário, estão nascendo justo nesta década, estão se avolumando e somos nós, que dessa vez, fazemos e acompanhamos o processo de consolidação ideias de uma maneira vivencial.

   Vejamos a quantidade de nomes e novos rótulos, todos para referenciar um mesmo tipo de comportamento que seria típico do homem considerado “moderninho”:

   Hetero gØy – Combinação do comportamento hétero, com o comportamento g0y (g-zero-y), isso para marcar que quando houver contato íntimo com outros homens, essa intimidade será parcial e não ocorrerá até o limite do sexo anal (o zero marca zero-anal);

   Heterogoy – Embora não valha para demais idiomas, a sua pronúncia em português é igual ao termo anterior. Serve para marcar um heterossexual considerado fora dos padrões normativos;

   Bi-emocional – Os chamados biemocionais levam esse nome porque têm relações afetivas íntimas com homens e mulheres, mas apenas têm relações sexuais com um dos sexos. No caso masculino, tem relações afetivas com ambos, mas têm relações de penetração apenas com mulheres.

   Hetero Flexível – Ficou popular e já consta inclusive em diversos dicionários e enciclopédias, incluindo o Wikipédia. O termo ainda é pouco usado no Brasil, mas é relativamente comum na América Latina e Canadá. Serve para marcar um homem hetero que mantém contatos afetivos e íntimos com outros homens, mas sem o bissexualismo masculino.

   Soft-bisex – Serve para marcar o contraste com o hard-bisex ou o verdadeiro homem bissexual.

   Pseudo-bissexual – Ou em bom português, falso bissexual, segue no mesmo sentido do rótulo anterior.

   Hétero Liberal – Muito comum nos clubes de swing, o termo foi ficando popular e se ampliando para além da troca de casais pura e simples, invadindo, por exemplo o mundo do ménagemasculino com interações, e em decorrência disso foi se aproximando do comportamento de todos os demais anteriores.

   Bi Curioso – Termo usado para se referir a alguém, que não se identifica como bissexual nem homossexual, mas sente ou mostra interesse em atividade íntima com alguém do mesmo sexo.

   Almost Bisexual – Nas diversas traduções possíveis de almost, acho que a melhor seria mesmo um “homem quase bissexual”.

   Talvez essa lista nem esteja completa, novos termos surjam, ou não, em breve. No entanto a pergunta que fica é: Qual seria a diferença entre todos os termos listados acima? Resposta: nenhuma.

   Todos esses termos, palavras e expressões estão relacionados com o fato do mundo atual passar por mudanças, o termo genérico bissexual, onde cabia praticamente tudo, não se mostra mais suficiente para marcar uma identidade no campo da diversidade.

   Tudo teve sua gênese no fato de que o mundo descobriu finalmente que o lado homo masculino não se restringe ao ato homossexual. Ele pode ocorrer no mínimo em três níveis: Sexual, Erótico, Afetivo; conforme inter-relações da ilustração abaixo. No diagrama, de uma forma visual, fica claro que o que hoje concebemos por gay, um rótulo tão comentado e tão falado, seria apenas uma pequena parte de um mundo muito mais amplo e que se chama homoafetividade.

   O que é verdade. Se o contato masculino homoafetivo e/ou homoerótico não necessariamente em todos os casos é um contato homossexual, por uma implicância decorrente e necessária, o mundo bissexual também seria abalado, pois o atual conceito de bissexual nada mais é que a presença do comportamento heterossexual+homossexual em uma mesma pessoa.

   O mundo está ficando mais complexo e também mais divertido. Eu diria também até mais sábio, um almost bissexual mostra uma riqueza em que se é quase bissexual, implica dizer que não é bisex. Por outro lado implica dizer que está próximo a ele.

   Por estar próximo, não cabem discriminações quanto ao rótulo de cada um. E por falar em rótulo, acho que cabe ressaltar que rotular alguém tem sim um sentido pejorativo, mas o auto-rótulo tem um sentido positivo, alguém se declarar heterogoy ou hetero liberal, não há nada de pejorativo nesse ato, pelo contrário: marca a sua identidade e seu posicionamento no mundo contemporâneo.

  E isso é bom. Marca uma evolução natural da sociedade.
Foto Divulgação

Diagrama                      OBS: Os links ao longo do texto foram incluídos pelos autores desse blog, não constam no texto original.

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