quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Levíticos 18:22 - Afinal o que ele quer dizer.


O livro de Levítico ou de Levíticos, compõe a Torah judaica e o Pentateuco da Bíblia Cristã. Leva esse nome por ter sido escrita pela Tribo de Levi - Uma das doze tribos de Israel. Tribo essa a qual Moisés também fazia parte, tanto quanto Aarão e descendência.

A tribo de Levi, cujos membros levavam o nome de levitas, eram os responsáveis pela condução espiritual e as normas de convivência. O terceiro livro da Bíblia - Levítico, recebe então essa denominação porque contém a Lei dos sacerdotes da Tribo de Levi, a tribo de Israel que foi escolhida para exercer a função sacerdotal no meio do seu povo.

As leis de Moisés (613 no total) enquanto normas de conduta moral, não estão totalmente cobertas no Livro de Levíticos. Em exemplo, no recorte do tema homoafetivo, há três leis moisaicas que dizem respeito à condição homo afetivo (Leis de preceitos negativos mosaicos de nº 350, 351 e 352), por sua vez há três passagens em Levítico tratando sobre o tema homo masculino -  mas não com o mesmo conteúdo, uma passagem está em Levítico 18:14, outra em Levítico 20:13, e a mais conhecida delas, a passagem de Lev. 18:22, que vamos tratar aqui e que é uma derivação direta da Lei de Moisés a de número 350.

Vejamos o texto mais comum em língua portuguesa:

"Com um homem não te deitarás como se fosse mulher; isso é abominação." 
  Levítico 18:22      

A tese hétero normativa deriva de uma interpretação de que o deitar - não seria o deitarás literalmente, ou seja penetrar, fazer sexo, transar, copular, etc. Esse "deitar" seria qualquer coisa, seria qualquer contato homoerótico ou até homo afetivo de intimidade de qualquer tipo entre dois homens.

Tese essa que venceu durante muito anos e moldou a nossa cultura; cultura ocidental que ficou sendo homo afetiva repressora durante séculos, mas será que essa interpretação de fato é coerente

Para começar, essa tese não é judaica. Ponto. Se não judaica e se o Livro foi escrito pelos Hebreus de onde ela vem? Essa visão foi criada e reforçada no período pós Constantino, portanto é sobretudo uma tese Romana, uma Roma de um Império já em decadência e de um período histórico marcado pela luta contra toda a sorte de promiscuidade e perversões daquela época.

Mas voltando aos nossos tempos, que já está marcado por essa visão hetero normativa. Há um sentido lógico e que é central na direção de entendimento da chamada g0y centric teology - que deriva da visão gimmel-yod (גי -hebraico)o argumento central é que esse qualquer contato erótico que não seja enfiar o pau no c*, não transgride, parece que pode até não ser recomendável, e até ser visto e interpretado como um comportamento perigoso no sentido que pode estimular coisas e sentimentos que um macho não deveria querer estimular, mas não seria contra Deus, ou D'us como eles escrevem.

Na dúvida, o melhor que temos a fazer é recorrermos ao original

 Em seu texto, em hebraico, Levítico 18:22 diz:
שֶׁלֹּא לִשְׁכַּב עִם זָכָר, שֶׁנֶּאֱמָר "וְאֶת-זָכָר--לֹ א תִשְׁכַּב


São muitas Traduções possíveis:
'Não relacione-se carnalmente um homem com outro" - "...um homem com outro macho não te deitarás..." - "...um homem não coabitará com outro..." - "um homem não deve dormir com outro..."  - "um homem não deve se reclinar para outro... 
(...) .
Não está escrito, não terá afeto por outro homem, não tocarás outro homem, não descubra a nudez de outro homem... nada disso está escrito.
Mas, é comum interpretarem como se o bicho macho não tivesse o menor autocontrole e toda e qualquer interação seria uma relação que chegaria "aquele ponto" da cópula.

É bom tocar nesse assunto, pois para quem nunca teve nenhum tipo de contato homo, parece óbvio que dois homens juntos - um come o outro... Então o deitar-se quer dizer qualquer contato mais próximo.... Pois seria como se conhecer a nudez um ao outro, tem que terminar naquilo... Humm será? Sabemos que não.

Ainda "forçando a barra na tese heteronormativa"... Dentre todas as traduções possíveis desse trecho da bíblia, a versão de que é proibido "dormir" com outro homem, é uma das poucas traduções que poderia dar a entender que a norma seria mais ampla, como que em um contato de afeto como o apenas dormir ou "ficar de conchinha"... Oh! Sim isto 'estaria claro, também é uma abominação'!... Ah, só que sentimos muito... Não se sustenta essa ideia.  E porque não se sustenta?

Não se sustenta por um motivo Simples, porque a mensagem de Levítico não é essa, tanto não é essa, que logo essa lógica (de ser abominação qualquer tipo de contato íntimo entre dois homens) é desmentida no Pentateuco em Eclesiastes Cap. 4, Verso 11 - Lá está que dois homens podem dormir juntos, ou seja, não é uma abominação o contato corporal mais próximo entre dois homens, DESDE que não seja no sentido de uma sodomia,  pode sim  (Eclesiastes 4:11) 

Um outro argumento é que em  Levítico no mesmo capítulo 18, há também o versículo 14 - não tão conhecido quanto o 22 e que diz assim(*):          "A nudez do irmão de teu pai não descobrirás;...(*)
   Ora basta refletir e ter um mínimo de sentido lógico! Parando para refletir, é possível observar se a palavra "deitar" do versículo 22 estaria mesmo em um sentido amplo, tão amplo... e indo muito além do que de fato significa, onde se deitar seria qualquer contato homo e em qualquer nível... porque haveria necessidade de outra norma/lei, para avisar que com o irmão do pai não poderia nem "deitar" e nem fazer nada mais "leve", como descobrir a nudez(*)... Uma única lei não seria suficiente? E porque não é?

A resposta é óbvia:  O deitar de fato significa deitar /i.e.coito. 
Mesmo não podendo tão claro para não escrever palavrão, todos sabem a forma e  como é que um homem se deita com homem, reclinando da sua condição masculina, como se mulher fosse, e apesar de muitos não quererem enxergar a situação literal da sodomia, ela pode ser mais nítida que muitos imaginam.


(*) Levítico 18:14, em outras traduções também é possível ler: 
A vergonha do irmão do seu pai, não descobrirás: tendo o mesmo sentido e significado, do discutido nesse texto.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Mais uma vez falando do comportamento g0y e o que diz a Ciência


Desta vez iremos comentar sobre o estudo conduzido na Universidade de Portsmouth. Esse novo estudo afirma que ter pensamentos homoeróticos é uma parte essencial da evolução humana.

Note mais uma vez que estamos falando de homoerotismo e não de homossexualismo.

Em termos evolutivos, a homossexualidade apresenta algo de um paradoxo. De acordo com Darwin, qualquer característica que faz um animal menos propenso a reproduzir, estaria jogando contra a evolução da espécie.

Agora pesquisadores da Universidade de Portsmouth acreditam que podem ter encontrado a razão evolutiva  para a existência do comportamento homoerótico na espécie humana. Segundo o estudo, nos humanos quanto mais alto o nível dos hormônios masculinos, mais haveria a propensão a se ter pensamentos homoeróticos.

A Dra. Diana Fleischman, autora principal do estudo, interpreta e discute: "Nós falamos o tempo todo
de uma perspectiva evolucionária e nós cientistas tendemos a restringir e pensar o comportamento sexual, como um meio para a reprodução. No entanto, o comportamento sexual e mais precisamente o comportamento bicurioso, homoerótico only, também é usado em muitas espécies, incluindo primatas não-humanos, para ajudar a formar e manter laços sociais. E nós humanos somos essencialmente seres sociais".


   Dra. Fleischman disse que estudos de outros animais na família dos grandes macacos também apontam para o comportamento homoerótico sendo usado para manter e criar novas amizades.
A pesquisa afirma: "A capacidade de se envolver carinhosamente com pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto é comum. Nos seres humanos, quanto se não mais que o comportamento sexual com mesmo sexo, o homoerotismo ocorre em pessoas que não se identificam como homossexuais. "
O estudo da Dra. Fleischman está publicado no Journal Archives of Sexual Behaviour (2014).
doi: 10.1007/s10508-014-0436-6


Em outras palavras, se não houvesse uma mínima atração homoerótica e uma homoafetividade que promove a tolerância entre os machos humanos, a sociedade e a civilização não seria possível. Haveria de forma contrafactual briga e guerra constante entre os machos, tal como existe em várias outras espécies animais que não vivem em grupo/sociedade, e isso claramente, jogaria contra a evolução da nossa espécie.

Basicamente é isso que conduz o estudo, a ideia que a homoafetividade é um dos aspectos que permite a própria existência da sociedade/civilização humana.


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